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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Cardiomiopatia hipertrófica: perfil clínico e desfechos em pacientes acompanhados em um hospital de referência do Sistema Único de Saúde.

Arthur Tolentino, José Santos, Pollianna Roriz, William carvalho, Thais Nascimento, Pedro Soares, Luanna Damasceno, Rodrigo Morel, Taina Viana, Luiz Passos
Universidade Federal da Bahia - Salvador - BA - Brasil

Introdução: A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é um distúrbio genético heterogêneo resultando em hipertrofia ventricular esquerda, fibrose, hipercontratilidade e complacência reduzida. A doença apresenta um perfil clínico heterogêneo, configurando um desafio na prática clínica a estratificação de risco e indicação de dispositivos nestes pacientes. Objetivos: Avaliar o perfl clínico, estrutural e funcional de pacientes portadores de CMH e avaliar desfechos cardiovasculares e terapêuticos. Métodos: Foi realizada uma coorte ambispectiva com pacientes diagnosticados com CMH acompanhados em serviço de Arritmia em centro de referência do SUS entre janeiro-2010 e maio-2021. As variáveis estudadas foram de desfecho foram idade, sexo, classe funcional (CF) NYHA, história de síncope cardiogênica ou de morte súbita (MS) abortada, história familar de MS, risco de MS em 5 anos e dados ecocardiográficos, de holter e de ressonância magnética. Além disso, foram avaliados óbito, profilaxia de morte súbita e terapias associadas. Variáveis categóricas foram descritas como frequência e porcentagem, e contínuas como mediana e intervalo interquartil. Resultados: Nossa amostra foi composta de 87 pacientes com CMH, acompanhados por um período mediano de 1,78 anos, com idade média de 46,8 anos (+ 14,4), 57,5% homens. Ocorreu um óbito no período. 50,7% apresentavam CF NYHA >2. Os fatores relacionados a pior prognóstico mais frequentes na amostra foram síncope (59,3%), história familiar de MS (53,1%) e TVNS (48,6%). Destes, 64% (n=53) receberam cardiodesfibrilador implantável, sendo 3,8% para profilaxia secundária; e 96,2% primária - considerando o ESC Risk score e carga fibrótica. Foram registradas 9 terapias elétricas, sendo 6 apropriadas (tempo mediano 2,59 anos) e 3 inapropriadas. Dois pacientes realizaram miectomia. Em relação aos dados ecocardiográficos, a maioria da amostra apresentou fração de ejeção preservada [mediana 69% (IIQ 64-76)], a despeito da CF. Quase todos apresentaram disfunção diastólica (92,4%). O valor mediano de espessura septo interventricular foi de 21 mm. 41,9% dos pacientes apresentaram obstrução da VSVE, com um gradiente mediano de 39,5 mmHg. Na ressonância magnética, 88,6% dos pacientes apresentavam realce tardio ao gadolíneo, com massa de fibrose mediana de 20 g (7,5-36,5). Conclusão: Os pacientes com CMH da nossa amostra demonstraram com frequência fatores de risco importantes para MS e necessidade de implante de CDI, especiamente no contexto de profilaxia primária, associado a alta prevalência de distúrbios fibróticos.

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10 à 12 de junho de 2021