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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Síndrome de realimentação em paciente hospitalizado – Relato de caso

Caroline Stéfany Oliveira Tavares, Maria Juliana da Silva, Anna Carolina Di Creddo Alves, Mitsue Isosaki, Luis Henrique Wolff Gowdak
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A síndrome de realimentação (SR) é definida por alterações metabólicas e distúrbios hidroeletrolíticos (hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia) que ocorrem entre 3 a 5 dias após a reintrodução alimentar em pacientes com baixa ingestão alimentar, sob jejum prolongado, desnutrição, ou com baixos níveis prévios de eletrólitos. Casos graves podem evoluir para insuficiência cardiorrespiratória. Relatamos um caso de SR em paciente com internação prolongada e múltiplas complicações. Homem de 78 anos, ex-tabagista, com história de cirurgia de  revascularização miocárdica, hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2 admitido por infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST. Na evolução, choque cardiogênico, edema agudo pulmonar (EAP), tetraparesia e sarcopenia do doente crítico.Realizou-se avaliação antropométrica para cálculo do IMC e medida da circunferência do braço e altura do joelho para estimativa de peso/altura; estado nutricional foi definido de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde para idosos e pela Avaliação Subjetiva Global. Avaliação laboratorial foi obtida no momento da suspeita diagnóstica de SR (T0) e 2 dias após a intervenção nutricional (T1). Resultados: Paciente desnutrido grave com peso estimado de 44,8kg (IMC = 16,7kg/m²) e perda ponderal de 15,4% em 4 meses. Devido ao risco de broncoaspiração, recebia terapia nutricional enteral (TNE) exclusiva dentro das metas calóricas-proteicas com boa tolerância. No entanto, a sonda nasoentérica foi acidentalmente removida pelo paciente, sendo mantido com dieta oral com muito baixa ingestão por 3 dias. Após 5 dias da reintrodução alimentar com TNE, evoluiu com insuficiência respiratória, EAP, queda na concentração sérica de eletrólitos, edema periférico e confusão mental. Feita a hipótese diagnóstica de SR. A intervenção nutricional consistiu na regressão da TNE de 37 para 10 a 20kcal/kg nas primeiras 24 horas, e posterior progressão no intervalo de 5 dias até a oferta final de 30kcal/kg, somada à correção eletrolítica. O paciente evoluiu com melhora clínica evidente e laboratorial (Tabela 1).

 

Tabela 1. Valores de eletrólitos antes e após a intervenção nutricional.

Eletrólitos

T0

T1

Potássio (3,5 - 5,0mEq/L)

2,8

3,1

Fósforo (2,6 – 4,7mg/dL)

1,7

3,5

Magnésio (1,8 – 2,4mg/dL)

1,6

1,8

 

Conclusão: Dada a alta morbimortalidade, o diagnóstico de SR deve ser prontamente reconhecido para que estratégias de intervenção nutricional possam ser readequadas, favorecendo a pronta recuperação clínica do paciente.

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